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JORGE DEYLLOT

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Data de registro: domingo, 15 janeiro 2006

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1

domingo, 15 janeiro 2006 - 12:35

RECORDEMOS A HISTÓRIA - ANGOLA Sec. XIX e Sec. XX

COMPANHEIROS

Vou iniciar hoje a minha participação junto de vós, abordando temas de que gosto e se prendem com a História de Angola. Não pretendo com isto mais nada senão o transcrever o que a História nos deixou. Percorri Bibliotecas, adquiri alguns livros e vou continuando a fazer as minhas Pesquisas. Não estou a tomar posição por ninguém, acusando ou defendendo seja quem fôr. A História, boa ou má, é a História. Os considerandos sobre ela, como sabem, são subjectivos. Não é minha intenção, neste espaço, analizar seja o que fôr. Apenas, e só, irei transcrever o que fui compilando.

Espero que seja do vosso agrado, o trabalho que irei iniciar.

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JORGE DEYLLOT

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2

domingo, 15 janeiro 2006 - 12:37

O Que Se Passou No Sul De Angola Ao Nascer Do Século XX

Os Cuamatas habitavam a região do Ovampo e estendiam-se por uma larga faixa ao sul do Cunene. Possuiam estreitas afinidades com os Cuanhamas, Cuambis, Ombarantus, Cualuhudis, Ingas, Gangueras, Evales, Ambanges, etc.

Todos juntos, e ligavam-se amiudadas vezes, apesar dos seus diferendos, podiam apresentar em combate trinta mil guerreiros. Os negociantes Alemães armaram-nos explêndidamente com a permuta dos seus géneros. Custou-lhes caro o negócio. Quando os guerreiros se sublevaram a Alemanha teve que elevar até onze mil homens o número de tropas destinadas a reprimi-los.

Em 1883 estabelece pela primeira vez, o Governo Português, uma Missão nos Cuanhamas. Dois anos mais tarde, uma sublevação destroi-a. Em 1900 o missionário Ernesto Leconte instala-se ali, mas em 1903 ocorre lá um morticínio em que perde a vida o padre Dionísio. Os vizinhos Alemães preparavam-nos já surpresas bem pouco agradáveis. As tropas portuguesas não deixam de estar em contacto e em luta contra esses irrequietos povos.

O capitão Madeira, chefe do Humbe, derrota o Moleca em 1903; o tenente Evaristo de Almeida, chefe de Caconda, coadjuva-o, castigando o soba N'GALA. Nesse mesmo ano o major de segunda linha, Teodoro José da Cruz, sofre repetidas investidas sem as poder rechaçar por falta de efectivos.

Para ajuizarmos o espírito e qualidade dos Cuanhamas basta citar o seguinte facto. Em 1891, o major Padrel, tenta prender o soba do Humbe, exilado em território Cuamata para além do Cunene. Experimenta um revés. Porquê ? Auxiliavam a coluna mais de dois mil Cuanhamas. Num determinado momento, com a mira no extermíneo e na expoliação, abandonaram a força portuguesa, juntando-se aos Cuamatas, matando e saqueando tudo quanto podiam.


Em 1904 organiza-se, então, uma coluna para ir " bater " os Cuamatas. Cerca de um mês dispõe a coluna para vencer a distância entre Moçâmedes até ao Cunene. Até aí superaram-se dificuldades relativamente pequenas. Para além do rio é que as dificuldades avultaram extraordináriamente.

O Solo nessa região esterilizava-se com amiudadas mulolas , pequenos desertos de areia, onde não existia água no verão, a que se sucediam florestas de alguns quilómetros dispostas de modo a consentir todos os ardis traiçoeiros das batalhas indígenas. Nessas arenosas paisagens os olhos quase não podiam fitar o chão, tão alvo e tão deslumbrante se apresentava à vista ofuscada dos europeus.

A coluna expedicionária compunha-se de uma bateria de artilharia com duas secções de montanha comandadas pelo capitão Pinto de Almeida, alferes Alves Cativo e Mendes Abóbora, com 6 sargentos, 63 cabos e soldados europeus e 38 indígenas e 32 animais.

Do esquadrão de Dragões, comandado pelo capitão Sacramento Monteiro. tenente Freire Temudo, alferes Figueiredo Carvalho, Manuel Vendeirinho e santos Nunes, o veterinário Tito Xavier, com 7 sargentos, 118 cabos e soldados europeus e 38 indígenas...

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segunda, 16 janeiro 2006 - 23:53

RE: O Que Se Passou No Sul De Angola Ao Nascer Do Século XX

...Da 2ª Companhia mista, às ordens do capitão Francelino Pimentel, alferes de artilharia Joaquim Rodrigues, tenente de infantaria Matias Nunes, alferes Nepomuceno Santos, Farinha das Neves, Sousa Sarmento e Francisco João de Freitas, com uma secção de artilharia, 2 sargentos, 21 cabos e soldados europeus e 18 indígenas; dois pelotões de infantaria com 8 sargentos, 7 cabos e soldados europeus e 154 indígenas.

- Da Companhia europeia de Infantaria, tendo à sua frente o capitão Alberto Salgado, tenente Luis Rodrigues e alferes Henrique de Melo com 4 sargentos, 68 cabos e soldados e 7 indígenas.

- Da 6ª Companhia indígena comandada pelo capitão Silva Patacho, alferes Albino Chalot, José da Silva Torres e António da Silva Torres, com 7 sargentos, 7 cabos europeus e 180 soldados indígenas.

- Da 15ª Companhia indígena às ordens do capitão Fonseca Veiga, tenente Dionisio de Almeida, alferes António de Oliveira, António José Gomes, Campos Figueira, com o mesmo efectivo da 6ª Companhia

- Da 16ª Companhia Indígena, tendo à sua frente o capitão Francisco Baptista, tenente Joyce Chalupa, alferes Germano Dias, António José Fontoura, Julio Paes de Oliveira e Pacheco Leão, com o mesmo efectivo das anteriores

- Da 12ª Companhia indigena de Moçambique, comandada pelo capitão Remédios da Fonseca, tenente Morais Zamith, alferes Jesus Caeiro, Agostinho Pires, Pinto Ramos e Gomes Ribeiro

- Do Batalhão disciplinar comandado pelo capitão Tamegão e alferes Lopes da Silva, com 5 sargentos, 4 cabos e 130 soldados.

- Desempenhava as funções de chefe de Estado Maior o capitão de Cavalaria Duarte Ferreira e as de adjuntos os tenentes de Cavalaria Estanislau Ventura e Garcia Resende.

- Encarregou-se dos serviços administrativos o major da Administração Mllitar Zeferino Marques e os tenentes Rebelo e Lopes de Macedo.

- Enquadravam-se nos Serviços de Saúde os tenentes médicos Costa Cabral, Metello Junior, Bebiano Peres, Montenegro e o farmaceutico António Quintão.

Comandava esta coluna, constituida por 53 oficiais e cerca de 1.800 praças, o Governador do Distrito do Humbe, capitão de engenharia João Maria de Aguiar.

Esta expedição deve considerar-se como uma das que se tinham organizado melhor na provincia de Angola.

Muniram-na as Estações Oficiais de tudo quanto se requisitara para ela: carros, gado, Telégrafo de ampanha, explosivos, etc....

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terça, 17 janeiro 2006 - 20:04

RE: O Que Se Passou No Sul De Angola Ao Nascer Do Século XX

...A marcha até ao Lubango foi um manancial de dificuldades. Até às vertentes da Chela e depois ainda para lá, delas, nunca se deixou de fazer sentir a falta de água. No caminho do Humbe ainda mais se agravou.

Nem sempre presidiu à escolha das etapes o critério que provinha da experiência. Algumas vezes tornou-se preciso ir buscar água longe, o que demorava o acabamento do rancho, que nem sempre estava todo cozinhado quando se recomeçava a marcha.

Assim, tendo num dos dias em que mal houvera tempo para fazer ferver a água em que devia ser cozido o grão de bico, ficou este rijo e duro, por exemplo. Mas era necessário comê-lo como estava, ou porem-se a caminho com o estômago vazio.

Quanto a esta alternativa, não houve hesitações; os soldados apresentaram as marmitas aos rancheiros que as enchiam. Mas o grão ao cair nelas produzia o estrondo de uma chuvarada de granizo batendo nas vidraças. É então que um soldado, a medo, adverte o rancheiro:

« Oh! coisa! Vê lá se me partes a lata !

Os soldados matavam a sêde onde encontravam charcos. Sem sucesso os oficiais e os médicos se esforçavam por conter as praças purificando a água por meio de alumen.

No dia 18 é dada a ordem para cruzarem o rio Cunene na madrugada seguinte. A marcha demora-se devido ao combóio, que constava de mais de trinta carros boers e pela formação das tropas em quadrado. Os primeiros a atravessa para a margem esquerda foram os auxiliares, moximbas , comandados pelo então capitão Gomes da Costa, um VALENTE oficial e EXPERIMENTADO na campanha contra o Gungunhana, e o alferes Leão.

Durante todas as noites imediatas a este primeiro avanço os Cuamatas disparam sobre o acampamento. Asseguravam os que conheciam os estratagemas dos guerreiros indígenas, que o tiroteio só tinha por fim entreter os expedicionários enquanto eles, indígenas, levavam o gado a beber ao rio.

Desde esse dia que começaram as investidas dos indígenas com mais ou menos violência, mas persistentes. Os sobressaltos e os alarmes são constantes até ao dia 23. Um certo dia, alguns oficiais repararam que de um boi que morrera na véspera, só restava o esqueleto muito branco e descarnado. Oferecera abundante festim aos abutres, cujos bandos numerosos sobrevoavam por cima dos expedicionários.

« Isto dá-me a impressão de um cemitério » - exclamou o tenente Rodrigues.

« Se acontecer alguma desgraça, os indígenas não me apanham vivo. Sempre hei de ter tempo de morrer » - murmurou o tenente Resende.

Como os alarmes são frequentes, as descargas sucedem-se. A prodigalidade do fogo causa inconvenientes sérios. Em três dias, sem nenhum fim militar útil, utilizam-se duzentos mil cartuchos de espingarda, e cento e sessenta e duas granadas. Em volta do acampamento tinham-se aberto trincheiras e, resguardado as diversas faces com arame farpado. Os toques de apito substituem os de corneta por se averiguar que os Cuamatas conheciam os nossos sinais.

A 23 executa-se um reconhecimento efectivo sob o comando do capitão Gomes da Costa. Tomam parte nele trezentos soldados brancos, duas peças de artilhari e um pelotão montado. À frente, a curta distância, iam os Moximbas , auxiliares com camisolas vermelhas. O inimigo não aceitava o combate. Fugia. Incendiaram-se-lhes várias cubatas. A força recolhe ao acampamento...